Um morador afirmou que enfrenta o problema há mais de 40 anos (Arquivo Pessoal) Os alagamentos provocados pela chuva ou pelas mudanças climáticas são problemas enfrentados pelos moradores do bairro Catiapoã, em São Vicente. Há mais de 40 anos, os habitantes convivem com essa situação, que, segundo eles, tem se intensificado nos últimos anos. Mas os problemas não param por aí. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ruas como Eronildes Menezes Pimentel, Engenheiros Ramon Azurza, João Maria Horta, Luiz Panzoudo Neto, João Evile e Francisco Marques Sopa alagam mesmo sem chuva, conforme afirma o metalúrgico aposentado Cristiano da Silva. Morador da região há 48 anos, ele diz que pessoas já morreram de leptospirose em uma das ruas, incluindo seu pai, que contraiu a doença e não resistiu. “Outro caso foi o de pessoas que tiveram parte do pé amputado por bactéria da água suja”, complementa. Ele também destaca que o canal da Avenida Alcides de Araújo, localizado no final da Rua Eronildes Menezes Pimentel, no Bairro Catiapoã, está assoreado. Por esse motivo, o escoamento da água se torna mais lento, e as manilhas das ruas têm um diâmetro que não suporta o fluxo da água, pois foram instaladas há 45 anos e estão quase todas entupidas. “Assim, a água passa por cima da rua e não pelas manilhas, o que seria o correto. No projeto de alteamento viário das ruas do Catiapoã, está contemplada a troca das manilhas, por isso a necessidade de começar as obras o mais rápido possível para amenizar o sofrimento com alagamentos das pessoas que moram naquela localidade”. O metalúrgico aposentado ressalta que manifestações na Câmara Municipal de São Vicente, reuniões com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e com o prefeito Kayo Amado (Pode) foram algumas das medidas tomadas pelos moradores. Um projeto de alteamento viário das ruas mencionadas e uma emenda destinada ao projeto do deputado federal Carlos Zarattini (PT) foram possíveis soluções apresentadas para 2026. Ele ainda conclui que, devido às mudanças climáticas severas dos últimos cinco anos, o problema tem se agravado. “Gostaríamos que as autoridades de São Vicente olhassem para as pessoas do Catiapoã que tanto sofrem com esse grave problema de alagamento”, finalizou. Posicionamento A Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb), informou que tem promovido investimentos históricos para amenizar os problemas ocasionados pela chuva e/ou alta da maré em diversas partes da cidade. Entre as intervenções de combate às enchentes realizadas estão as do Catiapoã. O bairro está sendo contemplado com uma obra de ampliação da travessia de drenagem no canal da Avenida Alcides de Araújo, o que aumenta a capacidade de escoamento. Também estão sendo instaladas comportas em oito locais da cidade. Segundo a Administração Municipal, esses trabalhos ajudarão a reduzir os impactos causados em boa parte da região Insular, incluindo o Catiapoã. A Prefeitura acrescentou que busca recursos respaldando-se do Plano de Macro e Microdrenagem. O estudo, concluído em 2023 por uma empresa especializada em engenharia consultiva, recomenda todas as obras de drenagem necessárias contra enchentes na cidade. Para o Catiapoã, é prevista a necessidade de alteamento de vias e mais melhorias na rede de drenagem. Baseando-se nisso, a Prefeitura busca a captação do recurso necessário. “Sem ignorar os problemas de outros bairros, a Prefeitura segue com grandes projetos de infraestrutura para amenizar os impactos das chuvas na vida das pessoas. Através de articulação do prefeito Kayo Amado com o Governo do Estado, o Município viabilizou o recurso de R\$ 30,5 milhões para intervenções relativas à drenagem, que contemplaram a maior obra contra enchentes da história da Cidade”, prosseguiu. Outra medida adotada pela Prefeitura, através do Condesb (Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista), é a inclusão no programa ‘Rios Vivos’, medida do Estado que contempla o desassoreamento de rios e canais. A Administração Municipal enviou um documento contendo os projetos prioritários para intervenções e aguarda as tratativas necessárias. Ainda complementam que, de acordo com o Plano Diretor de Macro e Microdrenagem, São Vicente necessita da instalação de comportas em 23 localidades, além de intervenções e melhorias em 42 km dos seus 53 canais e da implantação de 26 estações elevatórias de drenagem. Ao todo, o Plano Diretor prevê um investimento total de R\$ 800 milhões para macrodrenagem e R\$ 200 milhões para microdrenagem, o que, convertendo para o dia a dia, representa boa parte do orçamento anual do Município. Esses valores correspondem a todo o montante necessário para intervenções contra alagamentos em São Vicente. Respaldado pelo estudo, o Município mantém sua busca constante por novos recursos. “Com relação aos casos de leptospirose, a Secretaria da Saúde (Sesau), informa que em 2024, foram confirmados dez registros da doença, com quatro óbitos constatados. Neste ano, um caso foi constatado”, concluiu.