A falta de pagamento é registrada em várias unidades de saúde de São Vicente (Alexsander Ferraz/ AT e Daniel Gois/ AT) Dezenas de médicos que trabalham em hospitais públicos de São Vicente estão com salários atrasados. Esses profissionais da saúde possuem contratos com empresas que terceirizam o trabalho para a Prefeitura. Entre as unidades de saúde afetadas pela falta de pagamento estão os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Hospital Dr. Olavo Horneaux de Moura, Pronto-Socorro Central, Hospital do Vicentino e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que envolvem as empresas TL2 Soluções Médicas e MedPLus. A Administração Municipal informou que os repasses de pagamentos às duas firmas estão em dia. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Vale destacar que o pagamento aos médicos das empresas citadas acontece cerca de 40 dias após o término do mês trabalhado. Seriam 10 dias para emissão da nota para a Prefeitura depois do fechamento dos pontos e, na sequência, o Município tem até 30 dias para realizar o pagamento às empresas. TL2 De acordo com a Prefeitura de São Vicente, a empresa TL2 Soluções Médicas responde pelo pagamento dos profissionais pertencentes às unidades do Caps desde 2022. Portanto, o contrato - geralmente de 12 meses - já foi renovado algumas vezes. Médico que trabalha em um Caps da cidade e preferiu não se identificar contou que começou a trabalhar pela TL2 em novembro de 2024, sob a promessa de que os pagamentos seriam realizados até o dia 30 do mês seguinte à prestação de serviço. Porém, antes mesmo de iniciar as atividades, foi informado sobre atrasos nos pagamentos referentes a agosto e setembro. A empresa justificou que se tratava de um caso pontual. O primeiro pagamento, correspondente a novembro, foi feito em dia. Mas, a partir de então, começaram os atrasos sucessivos. Por exemplo, o salário de dezembro, que deveria ter sido pago em 30 de janeiro, foi depositado em 18 de fevereiro. O mesmo aconteceu nos meses seguintes. A TL2, segundo o médico, alegava que a Prefeitura de São Vicente não estava repassando os valores corretamente. “Em março, pagaram janeiro com o argumento de que haviam recebido apenas 50% do valor da Prefeitura. Disseram que estavam tirando do caixa da empresa para honrar os compromissos. Quando chegou abril, ainda não tínhamos recebido fevereiro”. Diante da situação, os profissionais dos Caps entraram em greve nos dias 22 e 23 de abril. A empresa se comprometeu a fazer um empréstimo para quitar parte das dívidas e os pagamentos atrasados foram feitos no dia 25. Entretanto, o salário de março, que deveria ter sido pago no fim de abril, continuou pendente. “A empresa passou a dizer que o prazo não era mais de 30 dias, mas de até 60 dias, e que não havia previsão para o pagamento”, contou. Com incertezas sobre o recebimento de seu salário, o médico decidiu se afastar do cargo. “A empresa deixou claro que não tem data para pagamento e que os insatisfeitos poderiam sair, pois eles iriam substituir os profissionais um a um”. MedPLus A MedPlus possui vínculo com os médicos que atuam em quatro unidades de saúde no município: Hospital Dr. Olavo Horneaux de Moura, Pronto-Socorro Central, Hospital do Vicentino e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Segundo profissionais que têm contrato com a MedPlus, o pagamento de março está pendente. Conforme um dos médicos ouvidos por A Tribuna, o pagamento era realizado após 40 dias do mês trabalhado, mas o prazo foi aumentando constantemente. O último pagamento realizado no tempo correto foi em outubro de 2024, quando pagaram os salários referentes ao mês de agosto. Outro profissional da saúde demonstrou sua indignação com a situação, que afeta diretamente sua renda familiar. "A gente trabalha no sol, na chuva, nós entramos em favelas, sofremos ameaças, saímos de casa para sustentar nossa família". Além disso, segundo um médico que trabalha no Samu, a empresa teria comunicado os funcionários de que não pagaria o salário de março até o final de maio, por falta de retorno da Prefeitura. Outro lado A reportagem de A Tribuna entrou em contato com as empresas TL2, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. A Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria da Saúde (Sesau), informou que os repasses de pagamentos às empresas terceirizadas citadas estão em conformidade com o prazo estabelecido em contrato. Em relação à MedPLus, a Administração Municipal está em contato com a empresa para que haja a regularização das relações contratuais com os profissionais. A Sesau reforçou que nenhuma das unidades citadas teve seus atendimentos afetados e que "vem realizando todos os esforços para garantir a continuidade e a qualidade da assistência à população". A Medplus esclareceu, em nota, que repassou integralmente os valores pagos pela contratante, referente ao exercício de fevereiro, aos profissionais que prestaram serviços médicos no Hospital Municipal Doutor Olavo Horneaux de Moura, no Pronto-Socorro Humaitá, no PS Central, Samu de São Vicente e Hospital dos Vicentinos. "Ressaltamos que os pagamentos estão em dia, seguindo rigorosamente o cronograma de execução e os instrumentos jurídicos. É importante lembrar que os repasses financeiros seguem rigorosamente o fluxo de pagamento do contratante, sendo quitados assim que os valores nos são transferidos. Entendemos que atrasos são situações incomuns para todos e, por isso, colocamo-nos à disposição para o que é possível nestas circunstâncias: estar abertos a prestar as informações de forma clara e transparente".